sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

estrelas de avelã e chocolate



bolachinhas de mel e aveia

puzzles

Bolachinhas de mel e aveia
Passava horas a fazer o mesmo puzzle. Só tínhamos um e era enorme! Tinha imensos animais e recordo-me que as peças eram muito pequeninas e difíceis de encontrar. Claro que depois de o fazer umas dez vezes, tudo se tornava mais fácil. Não sei porquê mas era completamente fascinada por esse puzzle. Acreditava que, tal como no puzzle, tudo na vida acabava por se encaixar. Não havia peças imperfeitas, defeituosas ou incompatíveis. Durante muitos anos vivi encantada com a história dos amores às metades: o amor era feito num só molde e depois moldado em dois, um homem e uma mulher. Sonhava acordada, sempre cheia de vontade de completar esse puzzle que parecia tão simples!
Continuo a acreditar que o nosso caminho é feito de pequenas peças que formam a nossa vida. Por vezes, pensamos que achámos a peça certa para completar mais uma parte e depois de tanto tentar encaixar (por vezes com muita força), abandonamos a peça e vamos à procura de outra. A essas peças chamamos família, empregos, paixões, amizades, viagens, .... E depois, de um pequeno puzzle que se completa, começamos a construir outro e outro e outro.
Os amigos são o meu maior puzzle e o mais difícil de completar e encaixar. Fico horas a tentar perceber porque é que uma peça que encaixou durante tantos anos, inchou ou rasgou ou simplesmente por magia, deixou de encaixar...
Hoje fiz estes biscoitos de mel e aveia, em forma de puzzle, para partilhar convosco. Estão mesmo bons! E estão todos convidados para o chá!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

borboletas


os lanches de sábado

Durante a semana, não havia doces. Quando ia para a escola, levava na mochila um pão com queijo e depois bebia o pacotinho de leite achocolatado que me davam. Ficava muitas vezes a olhar para uma colega que se deliciava com um bollycao e perguntava-me porque é que só ela podia comer coisas assim. Percebi mais tarde, que de delicioso, nada tinha... Por vezes, quando a minha avó nos ia buscar, a maior delícia que podia trazer com ela, era um pão simples ( um cacete com dentes, como nós lhe chamávamos). O pão não era melhor, nem pior do que os outros, mas como era diferente do que comíamos em casa, sabía-nos sempre a uma recompensa.
Ao fim de semana, a minha mãe fazia um bolo ou umas queijadas. Era tão bom! Em cima da mesa da sala, com um paninho por cima, escondiam-se as relíquias pelas quais esperávamos toda a semana.

Às vezes, depois de nadar, observo as mães nos balneários que dão o lanche às meninas muito pequeninas. Na maioria das vezes, são queques embalados ou bollycaos ou qualquer outra coisa com pepitas. Os doces são dados a todo o momento porque são fáceis de comprar, porque são capazes de afagar um choro, porque é rápido, porque sim...

Actualmente, já são poucas as famílias que têm um fim de semana completo ou que podem estar todos juntos.  Mas o que quero dizer com isto tudo é que, aos sábados ou aos domingos à tarde, cozinhar pode ser uma maneira divertida de passar o tempo com as/os filhotas/es.  E também uma maneira de fazer biscoitos para a semana ou só para o lanche, evitando recorrer às prateleiras do supermercado.

Ainda hoje regresso às torradas de pão caseiro, com azeite e açúcar que a minha avó fazia. Mas isso já é assunto para outras conversas.

Tchussss


Cf

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

carta a todos os corações do mundo

O Dom Farelo aceita encomendas especiais para o dia dos (e)namorados. Confeccionados com todo o amor do mundo, destinam-se a todos os que têm um coração. Os ingredientes variam mas têm a qualidade de mãos experientes. Aceitam-se encomendas a partir de agora para que na terça que aí vem os biscoitos cheguem ainda quentinhos às mãos de quem tem amor, de quem o procura desesperadamente e de quem simplesmente gosta de docinhos feitos em casa. O chocolate é branco e negro. Os morangos e as tangerinas deixam-se cristalizar com o tempo. E há ainda os corações de laranja, uma verdadeira especialidade. O Dom Farelo gosta muito de vocês. O convite é feito por uma loira e uma morena. Dá para resistir? Digam coisas bonitas através do endereço habitual.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

farelos para farelitos

O Dom Farelo organiza workshops de biscoitos para crianças dos 3 aos 13 anos com o objectivo de incentivar os farelitos a cozinhar de forma divertida. Os mais novos são convidados a colocar as mãos na massa, a perceber os benefícios de uma alimentação saudável e, no final, levam os seus biscoitos para casa. A actividade tem um número limitado de participantes e as fotografias da sessão são enviadas posteriormente para casa como recordação de um momento inesquecível e delicioso.
Uma proposta lúdica diferente que está disponível sob marcação prévia e de acordo com disponibilidade para escolas e festas de aniversário.
Mais informações através do endereço domfarelo@gmail.com.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

corações de chocolate branco com clementina cristalizada e corações de chocolate de leite com morangos


todos os dias são dia de são valentim...

<3.
Gosto de baralhar os dias.
Gosto de não saber que horas são.
Gosto de arcos e flechas.
Gosto de dormir até tarde.
Gosto de corações de chocolate, de massapão, de laranja...
Gosto de pequenos almoços na cama.
Gosto de fazer surpresas.
Gosto de transformar o banal no inesperado.
Gosto de dizer: gosto de ti.
Por isso, estes corações são para hoje.

domingo, 29 de janeiro de 2012

corações e laranjas

corações de laranja e sumo de laranjas da Quinta Faísco
Regresso à casa na árvore. Subir, descer, esfolar os joelhos, as mãos e sujar-me, sujar-me muito. Imaginar que a árvore é o meu castelo e só eu tenho autorização para estar ali. Subo tão alto que ninguém me pode ver, ninguém sabe onde eu estou. Do outro lado, na outra árvore, a minha arqui inimiga. Aquela com quem tenho que lutar para conquistar mais um castelo. Mas as lutas não são nas árvores, temos que descer e enfrentarmo-nos em terreno neutro. Não há espaço para negociações, nem para tréguas. Eu quero ficar com o castelo dela. Quando nos preparamos para lutar, surge uma voz ao longe:

- Meninas, está na hora de tomar banho!

A minha inimiga corre e eu fico a olhar para o vazio. Subo novamente à árvore porque não me quero ir embora. Apanho uma laranja e descasco-a com as mãos, para sentir aquele cheirinho. Que bom! E que recompensa tão boa depois de tantas lutas! Ouço o meu nome, mas ainda me apetece comer mais mil laranjas.

corações de laranja
Hoje, ainda existe a minha árvore, o meu castelo. E foi lá que apanhei as laranjas com que fiz estes deliciosos corações. Cada cheiro traz uma recordação e a minha infância foi recheada de tantos! Estes corações, sabem a mimos da mãe, depois de viver aventuras e tomar banho!

Eu vou lanchar. Alguém me quer acompanhar?

Tchusssss


Cf

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

bolachas de limão


bolachas de chocolate com pepitas de chocolate branco


o primeiro envio

As primeiras bolachas que faço a pedido são especiais. Não lhes dediquei mais, nem menos tempo e foi tudo feito com muito amor. Mas por serem as primeiras, fiquei emocionada quando as coloquei delicadamente na caixa de envio. O senhor dos correios, sempre a espreitar para ver o que tinha lá dentro, aclarou a garganta e disse-me num sussurro que se tivesse peso a mais, ele podia solucionar o problema. Apeteceu-me tirar algumas para lhe dar, mas elas estavam todas contadinhas. Prometi-lhe que, no próximo envio, lhe trazia algumas para ele provar...


Não é preciso elaborar pensamentos complicados para perceber que gosto realmente de fazer isto. Acho que, quando começo a misturar os ingredientes, tudo o que está exterior à cozinha deixa de ter importância. Sorrio enquanto amasso porque imagino a satisfação dos que recebem estas bolachinhas. 

Por isso, mãos à massa que eu vou lanchar umas bolachinhas.

Tchuussssss

Cf

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

biscoitos de azeite

bolachinhas de aveia

bolachinhas de morango

cookies de chocolate


a cozinha e os amigos


Imaginamos sempre que vamos ter tempo para os nossos amigos e que eles também vão ter para nós. Mas, o tempo atropela-nos e as pequenas coisas do quotidiano acabam por interferir, obrigando-nos a adiar para amanhã, para daqui a uma semana, para daqui a um ano...

A cozinha é um dos poucos sítios que conheço onde, na ausência da intromissiva televisão, há espaço para Conversar. Preparamos refeições enquanto descrevemos o quanto o nosso chefe nos chateia, amassamos pão enquanto, com um sorriso, confessamos o quão apaixonados estamos, preparamos a mesa enquanto nos queixamos do país e ao mesmo tempo deixamos tudo para trás. Sentar à mesa e Conversar. Sem rádio, televisão, iphones e derivados.

Hoje, eu e a Ce, passámos o dia na cozinha. Eu com as mãos sempre cheias de farinha e ela, de máquina fotográfica sempre pronta a conservar o momento. Parti chocolate, morangos, amassei pão e fiz umas bolachas e uns biscoitos maravilhosos. Dei-lhe especiarias para sentir o cheiro de terras distantes, experimentámos outras e nunca deixámos de conversar. Os amigos que estão mais distantes, que trocam a sua maneira de estar por um aburguesamento que se mostra essencial para o seu círculo, que têm filhos, que partem em viagem sem deixar palavras para o regresso, que não conseguem resgatar sentimentos,... As gatas espreitaram-nos uma ou duas vezes, mas deixaram-nos sozinhas porque tínhamos muitas saudades uma da outra.

Para mim, a cozinha com amigos é a combinação perfeita. No ar, ficou um cheiro delicioso, e muito riso e sorrisos.

Deixo-vos as fotos das bolachas e biscoitos que faço e que, se quiserem, é só pedir aos farelos!

Tchussss

Cf

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

o início.


Não me recordo do momento exacto em que comecei a gostar de cozinhar, mas há pequenos fragmentos de memória que não posso esquecer. A primeira mensagem deste blog é, por isso mesmo, um regresso ao que me fez chegar até aqui.

Ainda mal sabia combinar ingredientes ( quanto mais o nome das especiarias!), já fazia experiências na cozinha. Claro que, não as fazia sozinha. A minha eterna parceira de crimes, Mjo, estava sempre ao meu lado. Durante as férias grandes, enquanto a nossa mãe trabalhava, invadíamos a cozinha e imaginávamos que era um estúdio de televisão. Trazíamos os nossos bonecos para cima da mesa, e, eram eles os nossos espectadores. Se me perguntarem o que cozinhava, não me lembro. Mas recordo-me, de falar para as câmaras a explicar como se cortava a cebola, como se adicionava o azeite e enfim, se preparava aquelas delícias. No fim, sentávamo-nos a comer com eles e, para rematar em beleza, íamos buscar aquele serviço especial de café que a nossa mãe nunca nos deixava usar, para beber uma cevada com muito açúcar! Claro que, quando a nossa mãe regressava a casa, já estava tudo lavado e arrumado no sítio, como se nunca tivesse existido uma emissão do mais famoso programa de culinária das redondezas...

Não sei porque é que deixámos de fazer os programas. Talvez porque crescemos e deixou de fazer sentido. Mas, continuámos as nossas experiências e, claro, aprendi que a televisão esconde muitos truques e que os melhores espectadores são a família e os amigos. Continuo a brincar com a comida e a fazer o que sei melhor, dar felicidade aos outros nas mais variadas formas e sabores.

Já tive muitos ajudantes para fazer os meus biscoitos, bolachas, pão e comidinha boa, mas ninguém superou a Mjo, por isso, esta é para ti! ;)

A conversa já vai longa e hoje vou experimentar fazer pão com farelo de trigo e nozes...

Tchusssss

Cf