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domingo, 8 de abril de 2012

joy, the baker e aquilo que temos no frigorífico

bolachinhas de abóbora e sementes de papoila e frésias da quinta Faísco
Há uns tempos, no meio de ligações que vão dar a outra tantas ligações, encontrei a Joy, the baker. O primeiro impacto é visual porque as fotografias são realmente deliciosas. Mas, depois de passar esta longa fase que nos abre o apetite mil vezes, comecei a ler os texto que ela publicava juntamente com as receitas. São simples e ilustrativos do seu quotidiano. E, só isso, é o suficiente para me deixar deliciada. Aprecio as palavras simples, as pequenas surpresas do dia a dia, as memórias, o cheiro da fruta, a surpresa de uma receita acabada de criar... E esse é também o mundo da Joy. Claro que não nos comparo. Ainda tenho que criar muitas outras receitas até chegar aquele patamar mas, ao ver o site dela fico com vontade de pôr as mãos na massa!

E, foi depois de uma dessas visitas, que decidi criar umas deliciosas bolachinhas de abóbora e sementes de papoila. Sei que a época da abóbora já passou mas, como ainda tinha alguma congelada, decidi aproveitá-la para dar um sabor diferente a estas bolachas. Ás vezes perguntam-me, seja com os doces ou com os salgados, o que é que hão-de cozinhar. A minha pergunta é sempre a mesma: o que é que tens em casa? Acho que devemos utilizar os recursos que temos em vez de procurar nos supermercados uma resposta para as nossas preces culinárias. Em casa dos meus pais fui habituada a fazer as minhas experiências com o que tinha e isso criou em mim o sentido da invenção.

bolachinhas de abóbora e sementes de papoila
Em nossa casa, o flz fica sempre admirado como é que eu consigo fazer algo tão bom, depois de ele ter olhado para o frigorífico duas vezes e não ter encontrado nada. Um pouco de magia e imaginação e, voilá!
Estas bolachinhas são para gulosos que gostem de experimentar sabores novos e não têm medo de arriscar! Por isso, o meu desafio para vocês, para esta semana é: olhem para o vosso frigorífico/ despensa e façam magia!

Boa semana!


cf

quarta-feira, 21 de março de 2012

bolachinhas de alperce com crosta de amêndoa e noz

aprender.

A minha mãe recorda-me muitas vezes que eu era uma criança muito activa. Aliás, no primeiro dia de escola, felicíssima com a ideia de ir aprender coisas novas, não conseguia parar quieta na cadeira. A professora, lançou-me um olhar mortal e numa voz ríspida disse-me que devia ter bicho carpinteiro. Não sabia o que era mas, senti pelo tom, que não devia ser coisa boa. Naquele momento, percebi que a escola não ia ser como eu tinha pensado...
Bolachinhas de alperce com crosta de amêndoa e noz
Na escola primária aprendi que alguns são tratados por diminutivos, significando isso que são os preferidos da professora, e que os outros são apenas a manuela, o joão e o antónio. Por isso, quando passei para o ciclo, fiquei muito feliz por ter tantos professores. Recordo-me de uma das minhas professoras de inglês que, de tanto insistir com os verbos, fez com que, ainda hoje, não haja um verbo que não saiba. Recordo-me da ignorância de uma professora de português que me envergonhou, em frente a toda a turma, porque não dizia "vou para as -j'aulas-" como eles, bairradinos de gema.
O secundário passou totalmente em branco. Acho incrível estarmos tantos anos numa escola, e não haver um único professor que nos marque. Aquele professor que nós admiramos e que nos dá vontade de correr e desbravar o mundo. Nada. Zero. 
Precisei chegar à universidade para aprender. Numa cidade que não conhecia, encontrei uma biblioteca com imeeeeensos livros que me apetecia sempre levar para casa. Na primeira aula do jaf, conheci uma das pessoas mais importantes da minha vida: o jv. O jaf  interessou-se por nós, pelo que nós fazíamos e gostávamos e, não se limitou a ser um professor que debitava matéria. Ele ensinou-me a gostar de aprender, de ouvir e mostrou-nos outros caminhos para lá dos muros da universidade.
Há cerca de dois anos, mudei de cidade e resolvi regressar à universidade para fazer um mestrado. O entusiasmo inicial por estar a fazer algo diferente, rapidamente foi substituído pelo desânimo de não ser nada do que pensava. Mas, felizmente, tudo mudou quando conheci a F. Conhecer um professor que dá aulas com paixão, a acreditar nas palavras que diz, é um mundo inteiramente novo. Com ela, aprendi que também consigo escrever palavras no palco e principalmente que, se tivermos quem acredite em nós, como ela sempre fez comigo, conseguimos tudo.
Aprender não é só ir para a escola. É ter o privilégio de ter professores que gostam daquilo que fazem e ainda conseguem ver os alunos como pessoas que podem influenciar de uma forma positiva. Aprender é também ouvir as pessoas certas porque as outras...bem, as outras são as outras.
Estas pequenas delícias fiz especialmente para a F., por toda a força que me tem dado e por tudo o que me deu a aprender.

segunda-feira, 19 de março de 2012

ana.

Bolachinhas de nozes e canela - sem glúten
Conheci a ana em frente às escadas monumentais, em Coimbra. Recordo-me que era inverno porque ela trazia um gorro rosa. O Jv ia comigo e apresentou-nos. Falámos sobre uma peça que eu e o Jv tínhamos apresentado há pouco tempo e do interesse que tínhamos em "fazer teatro".
Quando nos despedimos, a ana seguiu o seu caminho e nós ficámos a pensar que queríamos tê-la envolvida no nosso próximo projecto.
"A pequena Bonnie", foi uma das peças que mais gostei de fazer até hoje. Eu e a ana, dividíamos o papel de Tina, uma romântica apaixonada por Doménico. Divertimo-nos tanto que, passados mais de dez anos, ainda consideramos voltar para cima do palco para apresentar a peça.

Depois de Coimbra, seguimos caminhos diferentes. Ela viajou para um lado e eu viajei para o outro. Mas, durante estes anos todos nunca perdemos o contacto. Há pessoas que simplesmente ficam no nosso coração a vida toda.
Há uns anos, de passagem por Lisboa, a ana visitou-me e deixou-me um pequeno desenho. Coloquei-o no meu frigorífico. Já mudei muitas vezes de cidade, casa e frigorífico, mas o desenho está sempre no frigorífico como uma fotografia dela.

A nova imagem do dom farelo, é dela. Desenhou-o para nós porque gosta dos nossos biscoitinhos e nós gostamos dos desenhos dela. Por isso, este lanche que preparei, é para ela. Nada de trigo! Nada de açúcar! Farinha de arroz com agave, nozes e canela, para a minha  Amiga! Amanhã segue pelo correio, com muitos abraços e beijinhos e uma vontade muito grande de te ter na minha cozinha.

sábado, 3 de março de 2012

gatos

gatinhos de papaia, laranja desidratada
e chocolate branco
O meu primeiro grande amor foi a cuddy, uma gata preta, com um miar fora do normal, muito meiguinha, que se sentava ao meu colo, em casa dos meus pais. Na infância tive muitos gatos mas eram tantos que é difícil recordar-me do nome de todos. Iam e vinham conforme lhes apetecia, numa total liberdade que só um grande quintal lhes podia proporcionar.
A cuddy acompanhou-me no regresso a casa dos meus pais, depois de uma longa viagem, para tentar perceber o que ia fazer a seguir. Recordo-me que essa foi uma das épocas em que mais me dediquei à cozinha. Quando os meus pais regressavam a casa, o pote dos biscoitos estava cheio, o pão estava prestes a sair do forno e planeava uma nova invenção para o jantar. Os serões, com uma mantinha nas pernas, eram passados com a cuddy. A ronronar, a dormir...
Durante muitos anos, pelas casas ou pela situação, não pude ter uma gata. Confidenciei ao F. que um dia gostava de ter uma gata preta porque, ao contrário das superstições, os gatos pretos sempre me tinham trazido sorte. Há cinco anos atrás, no meu aniversário, a campaínha tocou. Quando abri a porta lá estava ela, pequenina, toda preta, a olhar para mim, com um bilhetinho a dizer que queria ficar comigo. A haruki, como lhe chamei, tem sido uma companheira fabulosa e temos passado por muitos momentos juntas. Quando estou triste, devagarinho, ela vem ter comigo e aninha-se ao meu colo.
Há pessoas que não gostam de gatos. Se soubessem a tranquilidade e a paz que trazem, tinham mil!
Hoje tenho duas gatas: a haruki e a bruzzi, uma gatinha pequenina que se tornou companheira de brincadeiras e obriga a haruki a fazer exercício. Correm pelo corredor fora como se fossem cavalos selvagens!
Por isso, estas bolachinhas foram feitas a pensar em todos os amantes de gatos e todos os gatinhos com quem já tive a felicidade de me cruzar.
Bom fim de semana!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

todos os dias são dia de são valentim...

<3.
Gosto de baralhar os dias.
Gosto de não saber que horas são.
Gosto de arcos e flechas.
Gosto de dormir até tarde.
Gosto de corações de chocolate, de massapão, de laranja...
Gosto de pequenos almoços na cama.
Gosto de fazer surpresas.
Gosto de transformar o banal no inesperado.
Gosto de dizer: gosto de ti.
Por isso, estes corações são para hoje.

domingo, 29 de janeiro de 2012

corações e laranjas

corações de laranja e sumo de laranjas da Quinta Faísco
Regresso à casa na árvore. Subir, descer, esfolar os joelhos, as mãos e sujar-me, sujar-me muito. Imaginar que a árvore é o meu castelo e só eu tenho autorização para estar ali. Subo tão alto que ninguém me pode ver, ninguém sabe onde eu estou. Do outro lado, na outra árvore, a minha arqui inimiga. Aquela com quem tenho que lutar para conquistar mais um castelo. Mas as lutas não são nas árvores, temos que descer e enfrentarmo-nos em terreno neutro. Não há espaço para negociações, nem para tréguas. Eu quero ficar com o castelo dela. Quando nos preparamos para lutar, surge uma voz ao longe:

- Meninas, está na hora de tomar banho!

A minha inimiga corre e eu fico a olhar para o vazio. Subo novamente à árvore porque não me quero ir embora. Apanho uma laranja e descasco-a com as mãos, para sentir aquele cheirinho. Que bom! E que recompensa tão boa depois de tantas lutas! Ouço o meu nome, mas ainda me apetece comer mais mil laranjas.

corações de laranja
Hoje, ainda existe a minha árvore, o meu castelo. E foi lá que apanhei as laranjas com que fiz estes deliciosos corações. Cada cheiro traz uma recordação e a minha infância foi recheada de tantos! Estes corações, sabem a mimos da mãe, depois de viver aventuras e tomar banho!

Eu vou lanchar. Alguém me quer acompanhar?

Tchusssss


Cf

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

bolachas de limão


o primeiro envio

As primeiras bolachas que faço a pedido são especiais. Não lhes dediquei mais, nem menos tempo e foi tudo feito com muito amor. Mas por serem as primeiras, fiquei emocionada quando as coloquei delicadamente na caixa de envio. O senhor dos correios, sempre a espreitar para ver o que tinha lá dentro, aclarou a garganta e disse-me num sussurro que se tivesse peso a mais, ele podia solucionar o problema. Apeteceu-me tirar algumas para lhe dar, mas elas estavam todas contadinhas. Prometi-lhe que, no próximo envio, lhe trazia algumas para ele provar...


Não é preciso elaborar pensamentos complicados para perceber que gosto realmente de fazer isto. Acho que, quando começo a misturar os ingredientes, tudo o que está exterior à cozinha deixa de ter importância. Sorrio enquanto amasso porque imagino a satisfação dos que recebem estas bolachinhas. 

Por isso, mãos à massa que eu vou lanchar umas bolachinhas.

Tchuussssss

Cf